f1 - alteradaClostridium difficile é um bacilo Gram-positivo comensal do trato gastrointestinal responsável por diarreias associadas a antibióticos.

O uso de antibióticos permite o crescimento excessivo destes microrganismos e aumenta a susceptibilidade do paciente à aquisição exógena do C. difficile. É capaz de esporular, e os esporos formados são muito difíceis de serem eliminados, podendo permanecer em hospitais durante meses e resultar numa importante fonte de surtos hospitalares da doença por Clostridium difficile.

A rápida detecção de pacientes infectados em hospitais deve diminuir a ocorrência desses surtos. Artigo publicado na revista BMJ demonstra que cães treinados pelo olfato prontamente identificam pacientes infectados com essa bactéria.


Diversos casos patológicos tem auxílio do sistema olfatório canino

Beatriz Dias Barbieri, graduanda do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo

A criatividade e a inovação são ferramentas importantíssimas na pesquisa científica. A partir da leitura do artigo acima, nota-se a utilização do olfato de cães treinados como método diagnóstico de infecção por Clostridium difficile. Mas, a capacidade destes animais vai muito além do reconhecimento de um único caso patológico. Muitos cães são treinados para perceber a diminuição do nível de glicemia em pacientes diabéticos, enquanto outros são capazes de detectar níveis de compostos químicos relacionados ao crescimento de tumores, peça-chave para detecção de diferentes tipos de cânceres. Uma pesquisa realizada por Craven, Paterson e Settles (2009) destaca que a acuidade olfatória dos cães (Canis familiaris) é capaz detectar concentração de odores numa escala de 1 a 2 partes/trilhão, valor  que representa uma habilidade 10 a 100 mil vezes maior que a humana.

Entretanto, o treinamento desses cães apresenta algumas dificuldades como a necessidade de brincar e descansar em curtos intervalos de tempo, para que permaneçam interessados. Assim como, criar uma conexão entre o cão e seu dono deve ser fundamental. Para o exercício dessa atividade são utilizados cães, principalmente, das raças labrador, golden retriever e cocker spaniel.
Integrado a essa temática, foi criado um fundo de caridade chamado Medical Detection Dogs, uma ótima iniciativa que trabalha em conjunto com pesquisadores e institutos com o objetivo de treinar cães para detectar patologias humanas.

Métodos de investigação e análise inusitados como este têm renovado a pesquisa científica, abrindo um novo campo de estratégias e procedimentos que auxiliam na cura de doenças cada vez mais frequentes, caso da diabetes e do câncer. Isto aperfeiçoa a noção de que diversas áreas do conhecimento devem se integrar para resolver problemas emergentes, como a associação da compreensão acerca de surtos hospitalares por bactérias e da habilidade olfatória canina.

Referências Bibliográficas

Craven BA, Paterson EG, Gary S, Settles GS. The fluid dynamics of canine olfaction: unique nasal airflow patterns as an explanation of macrosmia. J Roy Soc Interface 2010;7:933-43.
CARTER, Sally. Sniffing out trouble. Student BMJ 2013;21:f4604