Carla Meneguin Barbosa
Um verdadeiro pesadelo: Um vírus desconhecido de morcegos passa a infectar porcos e humanos em Honk Kong. Uma executiva em viagem contrai a doença e passa a apresentar tosse e febre alta, acreditando que tem apenas uma gripe, ela retorna aos Estados Unidos, onde passa a apresentar convulsões e morre. Em poucos dias, milhares de pessoas contraem a doença e cerca de um quarto delas morre. O pânico se espalha e um cenário de guerra se instaura entre as pessoas, enquanto os cientistas lutam contra o tempo em busca de identificar o novo vírus, descobrir como é transmitido, sua prevenção e criar uma vacina.
Esse é o enredo do filme “O Contágio”, um filme hollywoodiano que conta a história de um vírus fictício mas, exageros à parte, essa nos é bastante familiar, não é verdade?
Sabemos que ebola, por exemplo, causador da atual epidemia na África, surgiu em macacos. Já vírus H5N1, causador da epidemia de gripe aviária em 1997, foi transmitido pelas aves, enquanto o H1N1, provavelmente surgiu nas aves, passou aos porcos até adquirir a capacidade de infectar humanos. O Coronavírus causador da epidemia de SARS em 2002, surgiu do morcego, passou a um mamífero simpático chamado Civeta, que então transmitiu ao homem.
Fonte: Wikimedia (modificado)
Agora imagine se, ao se depararem com o caso da jovem executiva do filme, os cientistas já conhecessem o vírus e suas vias de transmissão. Bem, perderíamos um excelente filme, é verdade, mas na vida real, a epidemia poderia ser contida e milhares de vidas poderiam ser salvas. É justamente por isso que eu, assim como vários pesquisadores no mundo todo, estudo vírus de animais silvestres.
Mas como se faz isso??
É claro que sair caçando vírus por aí não é tarefa fácil: A equipe de campo vai à diversas regiões brasileiras, literalmente no meio do mato, seja com chuva ou sol escaldante, às vezes de madrugada, para coletar as amostras. Elas podem ser de sangue, fezes, urina ou swab traqueal ou anal/cloacal (uma espécie de cotonete bem pequeno que passamos na traqueia ou ânus/cloaca), dependendo do vírus que estamos buscando, da espécie e tamanho do animal.
Fonte: http://www.gettyimages.pt (modificado)
(Não se preocupe! Tudo é feito com bastante cuidado para não machuca-los, de acordo com as orientações do comitê de bioética).
Depois, em um laboratório de segurança máxima (NB3+), com macacões de segurança e respiradores (parecendo um astronauta), realizamos uma série de testes para detectar o vírus e obter a sequência genética dele. Com um programa de computador, comparamos então essa sequência às sequências de vírus conhecidos.

Fonte: Arquivo pessoal
Obviamente, lidar com vírus desconhecidos é bastante perigoso. É por isso que passamos por um intenso treinamento para não acabarmos como a personagem de Kate Winslet no filme (spoiler alert!), que vai a campo em meio a uma grande epidemia sem qualquer equipamento de proteção e acaba se contaminando pelo vírus misterioso no meio de seu estudo. Tudo é feito com a maior segurança possível, com todos os equipamentos de segurança necessários.
Afinal, o que devemos temer??
Diversos agentes estão sendo descobertos e sabemos que há muito mais. A mãe natureza é uma grande bioterrorista e os vírus estão e sempre estiveram em todo lugar. Por isso não se engane, não há como nos livrarmos deles mas a velha e boa higiene é a melhor forma de se proteger contra esses e grande parte dos patógenos conhecidos. Por isso, lave as mãos com frequência e evite tocar seu rosto, coçar os olhos e colocar as mãos na boca.
No entanto, ao ir ao cinema curtir um desses filmes sobre pandemias, fique ligado: estudos mostram que metade da população raramente lava as mãos, então cuidado com quem senta ao seu lado!

