Juliana Kaori Ogawa e Tábata Dilenardi Dias
Os vírus são entidades extremamente simples que podem ser formados por dois tipos de material genético, DNA ou RNA, com ou sem um envoltório externo chamado envelope. O Vírus Respiratório Sincicial Humano (HRSV) é um vírus de RNA com o envelope (Figura 1) e como o próprio nome diz é um vírus do sistema respiratório. Ele pode infectar pessoas de todas as idades, mas recém-nascidos, bebês, crianças, idosos e pessoas com o sistema imune fraco são os que apresentam algum tipo de sintoma. O HRSV causa tosse, febre bronqueolíte, falta de ar, etc.
Por causa destes sintomas, é comumente confundido com uma gripe simples e por isso possui uma alta taxa de infecção e re-infecção, podendo levar até a morte. Apesar disso, até hoje ainda não existe uma vacina que seja segura e eficaz contra o vírus.
Estruturalmente o vírus é bem simples contendo apenas 11 proteínas, são elas:
– L (large)
– P (phosphoprotein),
– M2-1
– M2-2,
– M (matriz)
– F (fusão),
– G (glicoproteína)
– SH (small hidrophobic),
– N (nucleoproteína)
– NS1 e NS2 que são proteínas que não fazem parte da estrutura do vírus.

Figura 1. Esquema do HRSV com o RNA e o envelope. Fonte: Rega Institute for Medical Research (2013)
Para que o vírus consiga infectar e se multiplicar, é preciso que de alguma forma ele interaja com a célula. Isso acontece através da interação entre as proteínas do vírus e as proteínas que existem na célula.
O metilossomo é uma estrutura normal da célula formada por dois tipos de proteínas (MEP50 e PRMT5) e tem esse nome, pois o seu papel é de metilar proteínas já prontas, ou seja, depois que a célula fabrica uma proteína o metilossomo adiciona um “rabinho” chamado metil para regular a função da proteína. (figura 2)
Durante a fabricação de novos vírus acontece várias interações entre as proteínas do vírus com as proteínas da célula. Foi visto que uma destas interações é da proteína N do vírus com o metilossomo (OLIVEIRA et al., 2013). Esta é a base do meu projeto, quero confirmar por diversos métodos se esta interação realmente ocorre e qual o papel dela na produção dos vírus. Uma das ideias é que o metilossomo se liga e metila (coloca o “rabinho”) a N e isso de alguma forma é importante para que novos vírus sejam fabricados.

Figura 2. Esquema simplificado da metilação de proteínas
Outro objetivo importante é a caracterização funcional da proteína M. Pouco se sabe sobre essa proteína, mas o que já foi verificado em estudos anteriores é que essa proteína tem papel fundamental na formação de novos vírus, ela provavelmente é a responsável pela montagem de novos vírus. Já foi demonstrado, em estudos anteriores, que a proteína M interage com uma proteína presente em células humanas conhecida por Tropomiosina (Oliveira et al., 2013), essa proteína tem como sua principal função ajudar na contração dos músculos, mas ela também é muito importante para as células no seu processo de divisão celular, mais precisamente ela atua na separação das duas células filhas.
É necessário entender melhor por que a proteína Matriz do vírus se associa com a proteína celular Tropomiosina, como ela faz isso e se é possível criar uma nova vacina eficaz e barata a partir do bloqueio da proteína M.
E para quê estudar isso? É preciso ter um bom conhecimento básico e de como as coisas acontecem para querer criar algo elaborado e isto é o que estudo, qual a importância desta interação na produção de novos vírus. E só a partir daí que podemos pensar no desenvolvimento de novas drogas
Bibliografia:
- Bawage, S.S., Tiwari, P.M., Pillai, S., Dennis, V., and Singh, S.R. (2013). Recent
- Advances in Diagnosis, Prevention, and Treatment of Human Respiratory Syncytial
- Virus. Adv. Virol. 2013, e595768.
- Oliveira, A.P., Simabuco, F.M., Tamura, R.E., Guerrero, M.C., Ribeiro, P.G.G.,
- Libermann, T.A., Zerbini, L.F., and Ventura, A.M. (2013). Human respiratory syncytial
- virus N, P and M protein interactions in HEK-293T cells. Virus Res. 177, 108–112.
- Trabulsi, L.R., and Alterthum, F. (2004). Microbiologia (Atheneu).

