Beatriz Dias Barbieri
Instituto de Biociências/USP

A ciência é um dos meios mais importantes que o ser humano encontrou para questionar sobre o ambiente ao seu redor e, concomitantemente, resolver suas problemáticas. A existência dela é imprescindível nos dias atuais, aperfeiçoando técnicas e métodos no tratamento de pacientes, desenvolvendo novos fármacos, melhorando a qualidade de vida quanto à higiene e alimentação, conservação da natureza, uso e melhoramento de combustíveis, sem mencionar o avanço da tecnologia. Mas, como é possível perceber pela leitura de certos artigos, a ciência não é infalível e enfrenta um bom número de percalços até hoje!

manipulação da informação existe sim e é uma potencial arma de controle da população, para atender aos interesses daqueles que estão no poder. O que não se pode tirar do pensamento, entretanto, é que a corrupção da ciência tem um impacto social e como a ciência não é acessível a todos (às vezes, por falta de oportunidade como também pela sua complexidade), utilizar-se de argumentos inválidos para convencer certo grupo de pessoas não é tão complicado assim.

galileo 1

Fonte: Wikipedia

Galileo Galilei e o Eugenismo são importantes exemplos do que estou tentando explicar. O primeiro demonstra uma discussão entre a ciência e a crença da Igreja Católica daquela época. Pelo temor de perder seu poder sobre a sociedade, a Igreja se recusou durante muitos anos a aceitar a teoria do heliocentrismo proposta por Galileo. Já o segundo exemplo ilustra o mau uso de dados científicos: o Eugenismo foi o movimento que buscava realizar uma seleção entre as pessoas, preconceituosamente. Todo aquele que não possuísse qualidades raciais, físicas e mentais “adequadas” eram esterilizados, para que as próximas gerações fossem de maior “qualidade”. O impacto deste evento é monstruoso, tendo sido responsável por 60.000 mortes nos EUA, durante a década de 1960 e cerca de 400.000 mortes na Alemanha¹. O mau uso da ciência, nesse caso, resultou numa violência social imensamente destrutiva.

Partindo agora de outro ponto de vista do mau uso do conhecimento científico, a fraude e a fabricação de dados são práticas desonestas que, infelizmente, aconteceram e acontecem bastante no meio científico. E, ao contrário do que muitos pensam, periódicos científicos respeitáveis já sofreram deste problema. E, para comprovar isto, citarei alguns exemplos famosos como O homem de Piltdown e o Fake Fish.

O prejuízo de tais ações pode ser inimaginável, pois muitas vezes, apesar de pronunciarmos que a ciência é “autocorretiva”, muitos pesquisadores assumem resultados anteriores como verdadeiros e prosseguem naquela linha de pesquisa em um estágio mais avançado. Portanto, a forja e a fabricação de dados afeta toda uma linha de trabalho de inúmeros cientistas, atrasando os resultados e o progresso da investigação, que tem efeitos negativos para todos, inclusive, à população.

piltdown

Fonte: Wikipedia

Um dos casos que melhor demonstra esse prejuízo à população é o do estudo sobre linhas de transmissão de alta tensão e sua capacidade de causar câncer, especialmente leucemia, pois o campo eletromagnético afetaria negativamente as células. Descobriu-se, alguns anos depois, que essa hipótese é falsa e que se desperdiçou muito dinheiro tentando entender esse problema. Dinheiro, este, que poderia ter sido investido em pesquisas certamente promissoras no tratamento dessa patologia complicada.

E como faremos para evitar que isso aconteça? Na verdade, todos estão envolvidos nessa questão. A educação representa um papel importantíssimo, uma vez que crianças e adolescentes devem ser ensinado a se questionar “Qual a prova, a evidência que comprova esta hipótese?”. A informação é a arma que previne a população de ser enganada da mdo oportunismo. Mas não acaba aqui, afinal os cientistas tem o dever de divulgar a ciência à sociedade, popularizá-la e corrigi-la quando necessário, uma vez que alguns temas são de grande complexidade. A mensagem final que fica é uma citação de Dan Agin (autor do livro Junk Science): “Se a verdade traz liberdade, o que traz a mentira senão escravidão?”.

¹Dan Agin. Junk Science, 2006.

LINKS EXTERNOS
O verdadeiro segredinho sujo das publicações científicas
A Fraqueza da Ciência