Raíza Sales Pereira Bizerra
Sara Araujo Pereira

Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas – Departamento de Microbiologia – ICB/USP

A dengue é uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti (Imagem) que atinge milhões de pessoas em todo o mundo e o número de óbitos vem crescendo consideravelmente a cada ano. No Brasil, não é diferente e estatísticas fornecidas pelo Ministério da Saúde demonstram o aumento do número de casos em grande parte do país. Portanto, a doença apresenta-se como uma prioridade nacional em termos de Saúde Pública.

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Fonte: Wikipedia

Não há, ainda, tratamento eficaz para a dengue nem uma vacina capaz de prevenir a infecção, sendo necessária a busca de novas estratégias seguras de tratamento e prevenção. Muitos pesquisadores, ao redor do mundo, exploram estratégias para produzir uma vacina efetiva na prevenção da dengue. No entanto, o desenvolvimento de uma vacina eficaz tem como principais limitações a necessidade e a dificuldade de se produzir uma vacina eficiente e segura contra os quatro sorotipos virais que podem causar a doença.

Pouco se sabe sobre a biologia do vírus com relação ao hospedeiro. Essa falta de conhecimento sobre o vírus em relação ao hospedeiro está relacionada à falta de um modelo experimental     que seja capaz de reproduzir a doença (desde os sintomas à resposta imune) vista em nós, seres humanos. O ser humano é o único hospedeiro que desenvolve as formas graves do dengue. Existem algumas espécies de macacos capazes de ser infectados pelo vírus, mas eles não desenvolvem as formas graves (que é a clássica e a hemorrágica), além de serem difíceis de manter e manipular.
Visto isso, usamos os camundongos e outros pequenos roedores; estes são utilizados desde a década de 30 para isolar o vírus e auxiliar nos estudos da patogênese do microrganismo. Eles desenvolvem alterações nas células sanguíneas, apresentam sintomas por volta de 5 a 7 dias após a infecção pelo vírus (assim como em humanos), o que facilita os estudos da biologia do dengue nas células e no organismo. Com isso, buscamos uma forma de infectar camundongos que se aproxime da realidade observada em humanos.

jovem grupo “Dengue” do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas (LDV) da USP, composto pelo Dr. Jaime Amorim, pelos mestrandos Raíza Bizerra,  Rúbens Prince e Sara Araujo Pereira chefiados pelo Prof. Luís Carlos de Souza Ferreira, vem desenvolvendo importantes pesquisas de estratégias vacinais contra a dengue, baseadas em proteínas do vírus. Já foram publicados artigos caracterizando uma proteína, proteção obtida com a sua utilização e um modelo experimental em camundongos padronizado pelo grupo para o estudo da dengue.

A ideia que fundamenta a utilização de proteínas contra a dengue é simples. As proteínas devem ser produzidas no LDV e administradas em camundongos que serão posteriormente desafiados com o vírus. Após as imunizações, os animais desenvolverão uma resposta imunológica contra a dengue e, quando forem infectados, poderão conter a infecção e eliminar o vírus antes que o mesmo cause doença.

uso de proteínas virais para a indução de resposta imunológica traz uma série de benefícios. Além da segurança, as vacinas baseadas em proteínas induzem respostas imunológicas consideráveis e fornecem flexibilidade quando às vias de administração. O LDV também desenvolve pesquisa dos adjuvantes que podem ser promissores para a eficiência das formulações. Assim, além de material para a produção das vacinas, o laboratório conta com pessoal experiente e qualificado para esse fim.

Pesquisas como essas são de grande importância para que se consiga uma vacina contra a dengue e as constantes epidemias da doença no Brasil sejam contidas.

Os cientistas estão fazendo sua parte. Ajude também! Veja aqui como você pode evitar a dengue. Com pequenas atitudes, todos podem contribuir para a diminuição das mortes por dengue!

Artigos publicados pelo grupo “Dengue” do LDV
1. Amorim, Jaime Henrique; Pereira Bizerra, Raíza Sales ; dos Santos Alves, Rúbens Prince ; Sbrogio-Almeida, Maria Elisabete ; Levi, José Eduardo ; Capurro, Margareth Lara ; de Souza Ferreira, Luís Carlos . A Genetic and Pathologic Study of a DENV2 Clinical Isolate Capable of Inducing Encephalitis and Hematological Disturbances in Immunocompetent Mice. Plos One, v. 7, p. e44984, 2012.

2. Amorim, Jaime Henrique; Diniz, Mariana Oliveira ; Cariri, Francisco A.M.O. ; Rodrigues, Juliana Falcão ; Bizerra, Raíza Sales Pereira ; Gonçalves, Antônio J.S. ; de Barcelos Alves, Ada Maria ; de Souza Ferreira, Luís Carlos. Protective immunity to DENV2 after immunization with a recombinant NS1 protein using a genetically detoxified heat-labile toxin as an adjuvant. Vaccine, v. 30, p. 837-845, 2012.

3. AMORIM, J. H. ; Bruna F. M. M Porchia ; Andrea Balan ; Rafael C. M. Cavalcante ; Simone Morais da Costa ; Ada Maria de Barcelos Alves; Luís Carlos de Souza Ferreira. Refolded dengue virus type 2 NS1 protein expressed in Escherichia coli preserves structural and immunological properties of the native protein. Journal of Virological Methods, v. 167, p. 186-192, 2010.

4. AMORIM, J. H. ; Ada Maria de Barcelos Alves; Luís Carlos de Souza Ferreira. A vacina contra a dengue: perspectivas e desafios. Microbiologia in foco, São Paulo, p. 4 – 9.

LINKS EXTERNOS
– Animação: invasão do vírus da dengue
– Vídeo: How dengue does it?
– The Scientist: Dengue e Imunidade
– Artigo sobre a dengue como problema de saúde pública e o desenvolvimento de vacinas
– Pesquisadores do ICB/USP: proteína NS1 e a busca pela vacina
– Wkia Virologia: Dengue