Raíza Sales Pereira Bizerra
Sara Araujo Pereira
Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas – Departamento de Microbiologia – ICB/USP
A dengue é uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti (Imagem) que atinge milhões de pessoas em todo o mundo e o número de óbitos vem crescendo consideravelmente a cada ano. No Brasil, não é diferente e estatísticas fornecidas pelo Ministério da Saúde demonstram o aumento do número de casos em grande parte do país. Portanto, a doença apresenta-se como uma prioridade nacional em termos de Saúde Pública.

Não há, ainda, tratamento eficaz para a dengue nem uma vacina capaz de prevenir a infecção, sendo necessária a busca de novas estratégias seguras de tratamento e prevenção. Muitos pesquisadores, ao redor do mundo, exploram estratégias para produzir uma vacina efetiva na prevenção da dengue. No entanto, o desenvolvimento de uma vacina eficaz tem como principais limitações a necessidade e a dificuldade de se produzir uma vacina eficiente e segura contra os quatro sorotipos virais que podem causar a doença.
Pouco se sabe sobre a biologia do vírus com relação ao hospedeiro. Essa falta de conhecimento sobre o vírus em relação ao hospedeiro está relacionada à falta de um modelo experimental que seja capaz de reproduzir a doença (desde os sintomas à resposta imune) vista em nós, seres humanos. O ser humano é o único hospedeiro que desenvolve as formas graves do dengue. Existem algumas espécies de macacos capazes de ser infectados pelo vírus, mas eles não desenvolvem as formas graves (que é a clássica e a hemorrágica), além de serem difíceis de manter e manipular.
Visto isso, usamos os camundongos e outros pequenos roedores; estes são utilizados desde a década de 30 para isolar o vírus e auxiliar nos estudos da patogênese do microrganismo. Eles desenvolvem alterações nas células sanguíneas, apresentam sintomas por volta de 5 a 7 dias após a infecção pelo vírus (assim como em humanos), o que facilita os estudos da biologia do dengue nas células e no organismo. Com isso, buscamos uma forma de infectar camundongos que se aproxime da realidade observada em humanos.
O jovem grupo “Dengue” do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas (LDV) da USP, composto pelo Dr. Jaime Amorim, pelos mestrandos Raíza Bizerra, Rúbens Prince e Sara Araujo Pereira chefiados pelo Prof. Luís Carlos de Souza Ferreira, vem desenvolvendo importantes pesquisas de estratégias vacinais contra a dengue, baseadas em proteínas do vírus. Já foram publicados artigos caracterizando uma proteína, proteção obtida com a sua utilização e um modelo experimental em camundongos padronizado pelo grupo para o estudo da dengue.
A ideia que fundamenta a utilização de proteínas contra a dengue é simples. As proteínas devem ser produzidas no LDV e administradas em camundongos que serão posteriormente desafiados com o vírus. Após as imunizações, os animais desenvolverão uma resposta imunológica contra a dengue e, quando forem infectados, poderão conter a infecção e eliminar o vírus antes que o mesmo cause doença.
O uso de proteínas virais para a indução de resposta imunológica traz uma série de benefícios. Além da segurança, as vacinas baseadas em proteínas induzem respostas imunológicas consideráveis e fornecem flexibilidade quando às vias de administração. O LDV também desenvolve pesquisa dos adjuvantes que podem ser promissores para a eficiência das formulações. Assim, além de material para a produção das vacinas, o laboratório conta com pessoal experiente e qualificado para esse fim.
Pesquisas como essas são de grande importância para que se consiga uma vacina contra a dengue e as constantes epidemias da doença no Brasil sejam contidas.
Os cientistas estão fazendo sua parte. Ajude também! Veja aqui como você pode evitar a dengue. Com pequenas atitudes, todos podem contribuir para a diminuição das mortes por dengue!
Artigos publicados pelo grupo “Dengue” do LDV
1. Amorim, Jaime Henrique; Pereira Bizerra, Raíza Sales ; dos Santos Alves, Rúbens Prince ; Sbrogio-Almeida, Maria Elisabete ; Levi, José Eduardo ; Capurro, Margareth Lara ; de Souza Ferreira, Luís Carlos . A Genetic and Pathologic Study of a DENV2 Clinical Isolate Capable of Inducing Encephalitis and Hematological Disturbances in Immunocompetent Mice. Plos One, v. 7, p. e44984, 2012.
2. Amorim, Jaime Henrique; Diniz, Mariana Oliveira ; Cariri, Francisco A.M.O. ; Rodrigues, Juliana Falcão ; Bizerra, Raíza Sales Pereira ; Gonçalves, Antônio J.S. ; de Barcelos Alves, Ada Maria ; de Souza Ferreira, Luís Carlos. Protective immunity to DENV2 after immunization with a recombinant NS1 protein using a genetically detoxified heat-labile toxin as an adjuvant. Vaccine, v. 30, p. 837-845, 2012.
3. AMORIM, J. H. ; Bruna F. M. M Porchia ; Andrea Balan ; Rafael C. M. Cavalcante ; Simone Morais da Costa ; Ada Maria de Barcelos Alves; Luís Carlos de Souza Ferreira. Refolded dengue virus type 2 NS1 protein expressed in Escherichia coli preserves structural and immunological properties of the native protein. Journal of Virological Methods, v. 167, p. 186-192, 2010.
4. AMORIM, J. H. ; Ada Maria de Barcelos Alves; Luís Carlos de Souza Ferreira. A vacina contra a dengue: perspectivas e desafios. Microbiologia in foco, São Paulo, p. 4 – 9.
LINKS EXTERNOS
– Animação: invasão do vírus da dengue
– Vídeo: How dengue does it?
– The Scientist: Dengue e Imunidade
– Artigo sobre a dengue como problema de saúde pública e o desenvolvimento de vacinas
– Pesquisadores do ICB/USP: proteína NS1 e a busca pela vacina
– Wkia Virologia: Dengue

